A responsabilidade de amar


          
“Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, já dizia o tio Ben, no HQ do Homem-Aranha. Eu nunca vi responsabilidade maior do que amar alguém. Nunca vi, na verdade, poder maior do que o amor ao próximo. É até clichê falar de amor, de amor impossível, de amor doado, amor platônico, ultra-amor, de amor pura e simplesmente, de tanto que isso já foi assunto ao longo da nossa história como humanos.
Mas ora, nossa história como humanos é indissociável do amor, que por momentos esteve em destaque, e por momentos em segundo ou terceiro plano, mas nunca inexistente. Amar é característica natural do ser humano, mas uma característica natural com boas doses de metafísica, de transcendência.
Somos mais do que sinapses e do que hormônios quando se trata de amor. Por quê? Por que não escolhemos quem amamos. Influenciamos, talvez, mas nunca escolhemos de fato. Hoje podemos saber todos os processos de atividade cerebral e corporal relacionadas ao tal do amor, mas nenhum deles consegue entender porque elas funcionam com uma pessoa, e com outra não.
Existe algo acima, que desconhecemos, e que pelo seu caráter de mistério, é o que mais nos fascina no que tange ao amor. Uma razão ou razões, ou se é que é razão, no sentido de justificativa, pela qual amar alguém é uma enorme responsabilidade. Uma responsabilidade que tomamos gratuitamente, algumas vezes de forma possessiva.
A partir do reconhecimento do que uma pessoa representa na sua vida, do amor que você sente por ela, você é capaz de tudo, você vai ao seu limite, para fazê-la feliz, para tê-la perto. E na maioria das vezes, sequer se dá conta disso, de tão “natural” e involuntário que se torna amar alguém. Não significa, entretanto, que essa doação seja fácil, ou que indique reciprocidade. O melhor amor é o recíproco, mas a reciprocidade não é fator essencial para causar a responsabilidade de amar alguém. Mesmo sem reciprocidade, há exemplos e exemplos de pessoas que amam e se doam.
Esse texto não se refere ao amor entre namorados, amantes, casais e etc. Embora o contexto seja de acordo com quem lê e não com que escreve. Esse texto trata-se, na verdade, da expressão escrita de um reconhecimento pessoal tido no ano de 2012, ano que eu perdi o amor da minha vida. E não era um amante, namorado ou marido, mas um companheiro, um amigo, um irmão... Um pai.
Nós fazemos o que podemos para as pessoas que amamos, há uma responsabilidade enorme em amar alguém, em fazê-la feliz no que você pode, principalmente quando a vida de quem você ama não anda assim tão feliz, e cada vez mais se torna difícil para ela, ao ponto em que você se torna aquele raio de luz na sua vida. Mas a responsabilidade mais difícil em amar alguém está em aceitar que seu amor vai continuar ali, mesmo na ausência permanente dela. E por mais doloroso que isso seja, é uma das melhores experiências que você ter. Amar alguém sem medidas. E aproveitar o tanto quanto possível isso.

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