the ugly truth

Hoje eu acordei monossilábica. Aquelas manhãs atípicas quando você acorda mandando tudo pro inferno mentalmente e ignorando de forma deliberada qualquer tentativa de diálogo. Entretanto estou muito comunicativa na escrita, afinal eu estou escrevendo aqui, mas apenas pelo simples fato de que não necessito falar para isso. E sabe o mais engraçado desses dias de humor negro? É que as pessoas parecem ser instigadas a fazer a nuvem negra sobre a sua cabeça soltar mais raios e trovões múltiplos do que você sozinha já faz.
Quer estragar meu dia? Lance uma enxurrada de coisas que tenho que fazer naquele dia. Não é um saco? E sufocante? Eu odeio me sentir sufocada, aliás, odiar é uma palavra que tem sido frequente no meu vocabulário, acho que se continuar assim, eu vou acabar sendo odiada, ou pior, me odiando. Mas, é legal uma vez ou outra você ser uma filha da puta e recorrer ao Estado de Natureza de Hobbes, ou seja, não primar pelo direito dos outros e pela boa convivência em sociedade, aí você percebe quem é quem. E a verdade inconveniente: Todos tentamos ser melhores que o outro.
Mas acho que essa frase já é água passada por aqui, já comentei isso e até disse que quem não acha isso é um puta mentiroso e hipócrita. Você pode enganar os outros, mas não a si mesmo. Essa tendência competitiva é natural do nosso instinto, somos animais também. E por isso, assim como sexo, cocô, xixi, não deveria ser um horror falar disso. É algo que não podemos mudar.
A verdade é quenão existe gente que não gosta de competir, existe gente que é fraca demais para ganhar uma competição, mas não que ela não tente o mínimo ou que pelo menos uma vez não sonhe em ganhar tal coisa. Eu sou competitiva, muito competitiva. E territorialista. E arrogante.
Fazer o quê? A arrogância faz parte dessa juventude, e talvez, acho que como a competitividade faça parte também da natureza humana, mas vai saber... Eu não estudo psicologia. Lendo blogs e comentários alheios da vida, nesse meu momento de humor negro, eu percebo que querendo ou não, todos nós seguimos um padrão. E que Caio Prado Júnior estava certo em Sentido da Colonização: Ainda que hajam particularidades, toda história de um sentido. E é esse sentido que faz com que os historiadores, por exemplo, possam estudar e determinar os aspectos de uma período histórico específico. Não que eu faça história também, mas se eu estiver falando bobagem, a Zélia me corrige. Então, pessoas ditas diferentes e incompreendidas, vocês nada mais fazem do que seguir o padrão do nosso período: sermos diferentes e incompreendidos.
Lembra do que eu disse no post do "Eu sou superior!"? Se não lembra, releia. Foi exatamente isso! Que os que se dizem diferentes, são na verdade, iguais. Por que assim como você se acha diferente existe quase toda uma geração que se diz a mesma coisa. Ainda em dúvida? Faça uma pesquisa de blogs e você notará isso. E por que nos dizemos incompreendidos? Ora por que, por que nós somos. E angustiados. Talvez o grande marco da nossa geração não seja o colorido do Restart, ou a extravagância da Lady Gaga, ou quiçá a beleza do Indie. Não, a angústia é a grande marca. Aquele sentimento de prisão que nos oprime mesmo quando estamos tão livres, por exemplo, na internet. Quando viajar tornou-se bastante acessível, quando a socialização se tornou menos complicada. Ainda assim... Continuamos nos sentindo presos.
A verdade é que nos sentimos presos com esses discursos ideológicos, com a mídia em massa, compelidos a seguir dois tipos de comportamentos: aqueles que se submetem e aqueles que tentam não se submeter e vivem na luta. Entretanto, é inevitável não ser influenciado por isso.
Sabe de uma coisa? Começo a concordar com Álvaro Valls no livro "O que é ética?" quando ele comenta sobre o fim do indivíduo, e de fato, estamos suprimindo o nosso indivíduo e sendo vistos mais como massa, seja a facilmente manobrável, seja a difícil. E talvez por isso necessitamos tanto dessa vontade de sermos "diferentes".
Nem sei mais o que estou falando. Mas eu me sinto melhor
E ah... Uma dica. Nunca leiam livros de filosofia que sejam pequenos.
Eles são os que mais nos deixam sem chão.

2 comentários:

  1. Nada é tão belo quanto a reflexão que nos leva a filosofia , nos dias de hoje quem não anda frustrado e irritado por nada ? Também tenho dias tempestativos e vivo mais irritado que de bom humor :X adorei o jeito que escreve , com um ar ironico e ao mesmo com seriedade, e tbm com as citações dos livros isso é bom além de tudo adquirimos um pouco de bagagem cultural rs abração e melhoras seguindo seu blog



    http://meumundinhoinsanowill.blogspot.com/

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  2. "A verdade é que nos sentimos presos com esses discursos ideológicos, com a mídia em massa, compelidos a seguir dois tipos de comportamentos: aqueles que se submetem e aqueles que tentam não se submeter e vivem na luta. Entretanto, é inevitável não ser influenciado por isso."
    tento ao máximo ficar fora disso, belo texto!
    sucesso pro seu blog!

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