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#ReadWomen2014 - O que é isso?


Já faz um tempo que eu queria escrever sobre esse projeto gringo que eu achei mega interessante e deveria ser mais divulgado aqui nas terras brazilis tropicais. Eu vi a reportagem no Buzzfeed Brasil, e trata-se de um projeto que busca trazer a igualdade de gênero no mundo literário (não, não é de gêneros literários que eu estou falando. 
Vocês devem saber, ainda que não leiam ou se interessem pelo assunto, a marcante desigualdade de gêneros no Brasil, não é? Apesar dos números terem melhorado bastante nos últimos anos, dada nossa herança histórica patriarcal e machista, em muitos locais e mentes, a mulher é ainda é colocada de forma inferior ao homem ou a figura masculina. Seja em casa, na escola, nos postos de trabalho, na rua mesmo, convivemos diariamente com esse preconceito e até mesmo opressão. 
A questão é: a desigualdade de gêneros está presente em todos os âmbitos da vida social. E o mercado literário não está fora disso.
Eu confesso que eu mesma achei estranho, já que leio mais autoras do que autores. Mas levei apenas um segundo para pensar: "certo, mas que tipo de livros elas escrevem?" A resposta é uníssona, não? Romances. Parece que se você é mulher e escreve, você tem que escrever romances. E se escreve sobre outro gênero, você se torna uma minoria. De acordo com a reportagem do Buzzfeed, em 2012, trabalhos escritos por mulheres contabilizaram 22% das resenhas no The New York Review of Books, 25% de resenhas no The Times Literary Supplement e 23% no The Nation. 


A campanha #ReadWomen2014 foi ideia da artista e escritora Joanna Walsh, que fez vários marcadores de textos com ilustrações de escritoras famosas. De acordo com a entrevista dela no Buzzfeed: "A dispensa de escritoras é uma epidemia no mundo literário, evidenciada pelo drástico desequilíbrio entre resenhas de trabalhos escritos por homens e trabalhos escritos por mulheres".
Daniel Pritchard, editor do The Critical Flame, ainda dá uma alfinetada maravilhosa sobre o assunto, que merece até citação destacada:
"O que podemos ver hoje é que os traços de uma cultura ainda são dominados por figuras masculinas brancas, e pela pressuposição do seu essencial mérito literário, em todo o lugar, desde grandes publicações até pequenos periódicos. Até onde a cultura literária dominante está preocupada, homens brancos são o padrão"
Então meu blog, por pequeno que seja, também apoia essa ideia do #ReadWomen2014. Vou usar essa tag no twitter, nas próprias resenhas e nas postagens do Facebook. Que tal participar também? :)


O perfume e o trabalho

Embora eu ainda ache simplista a assertiva marxista de que a divisão social do trabalho é a base de toda e qualquer sociedade, tenho que admitir que se não é, poderia equivaler a uns 90% das razões por que fazemos coisas, temos coisas e inventamos coisas. Afinal, não é à toa que temos o bendito do dedo polegar opositor que tem capacidade preênsil.
Mas não vou falar de trabalho aqui. E sim de perfume.
O perfume é uma coisa antiga. Ou melhor, a noção de transformação de elementos para se adquirir odores que agradam ao olfato que é. Por exemplo, os egípcios costumavam fazer seu culto as Divindades através de fumaças perfumadas. E o perfume também já foi usado para prevenir doenças, algo como uma antisséptico da idade média, e claro, como objeto de higiene pessoal. E aí é que está o meu ponto de discussão.

Esses dias eu comecei a ler "Uma breve história do século XX" do Geoffrey Blainey. Quando ele busca apreender o espírito da virada do século XIX para o século XX, ele menciona muitos fatores, muitas atividades então típicas, e uma delas era exatamente a característica do trabalho, ainda baseado na labuta extensiva do meio rural, ainda muito sujo e insalubre nas grandes indústrias ao redor dos centros urbanos.
As ferrovias estavam se tornando o principal meio de transporte na Europa, e um dos trechos dele, após um relato sobre a higiene dos trabalhadores naquele período, foi o que mais me fez ficar pensativa de ontem para hoje, a ponto de decidir escrever um texto simples sobre o assunto: "Os perfumes quase sempre compensavam a escassez da água, e o corredor desse tipo de trem dispunha de uma máquina que, por uma moeda, liberava um pouco de água de colônia". (BLAINEY, 2010, p.26).


A ideia de perfume que temos hoje é exclusivamente como algo que acentua um status de beleza, de limpeza, mas principalmente de riqueza. Ter e usar perfume é uma espécie de rito que prova que somos pessoas da cidade, pertencentes a uma classe que se cuida, que se veste bem, que cheira bem e que tem poder aquisitivo. Embora, claro, haja uma rede perfumes baratíssimos, acessíveis a todos, convenhamos que existe, por outro lado, um verdadeiro exército de marketing, que através da sua principal arma: a propaganda, diz que não é qualquer perfume que te dá essas características de pessoa bem de vida, que mora na cidade grande. São perfumes X, Y e Z. Caríssimos e exclusivos.
Irônico a vida, que no início do século passado se vendiam doses de perfumes em trens pra amenizar o mal-cheiro de pessoas que trabalhavam em condições insalubres, e hoje ele é um produto única e exclusivamente de beleza, de "sedução". Um toque final de uma série de produtos e linhas para deixar você "feliz consigo mesmo" e parte de algo.





10 Razões por que eu não sou Nerd




Eu li um texto bem espirituoso falando sobre uma nova “raça” de garotas denominadas de “Pirinerds” (piriguetes + nerds) no site das Garotas Geeks. E o post, que alias foi muito bem escrito e cômico, me rendeu reflexões que agora me põe na obrigação de escrever esse texto aqui.
Em primeiro lugar, eu não sou nerd.
Passei uma boa parte da minha vida tendo essa designação por parte das outras pessoas, e nunca concordei com isso, e o porquê? As Garotas Geeks responderam por mim ao traçar o perfil das Pirinerds e concomitantemente, o perfil do que seria uma verdadeira garota nerd. Eu não me encaixo em nenhum, óbvio. Então, vamos às razões:

10 – Eu não sei matemática.
Aparentemente, para você ser considerada uma nerd, você precisa entender sobre programação e coisas do tipo, que eu sei que envolvem matemática, e muita paciência. Na verdade, entendam matemática com ligação direta a um raciocínio lógico do capeta. Não, eu não tenho isso. De fato, meu boletim nunca foi impecável exatamente por causa dessa matéria maldita que sempre me deixava na média.

9 - Eu não sei a história dos videogames
Eu jogo videogame desde a época do Megadrive, isso é fato. E tive meu Supernitendo. E joguei no 64, no PS1, tenho meu PS2, mas já joguei no PS3, no PSP, no Wii e no Xbox 360 (que se alguém quiser me dar de presente, não farei qualquer objeção). Mas, ficar comparando? Ou sabendo a história de cada um? Ou etc, etc, etc? Não obrigada, eu só jogo, não sou nenhuma especialista.

8 – Quase nunca zero os jogos de videogame
É, eu já joguei Zelda, nunca zerei e achava meio entediante. Sou fã do Mario Bros, mas digo com orgulho que nunca zerei (no Super Mario World, se eu cheguei à quarta fase foi muito). Na verdade, a maioria dos jogos eu nunca zerei! Seja lá qual fosse o modelo do videogame. E convivo bem com isso, muito obrigada.

7- Jogos de RPG famosinhos. Quiço?
Nem curto. Jogo RPG desde pirralha, isso é verdade. Jogava aquele clássico de mesa, que era do Pokémon com os meus primos. E depois comecei a jogar RPG de fórum, o chamado ORB, de Harry Potter. Até administrei por dois anos uma comunidade assim. Mas os famosinhos? Aqueles on-line? Nope. Nunca joguei e nem tenho ideia de como joga. Na verdade, algumas pessoas sequer consideram um RPG ORB, RPG de verdade. Mas eu acho um dos melhores, por que tudo parte da sua imaginação e da sua capacidade de escrita (ok, os dados também existem pra te ferrar, mas a gente releva isso). 

6 – Sou enrolada com aplicativos e não tenho sonho de consumo pela maioria dos gadgets.
Pra conseguir instalar um aplicativo no meu telefone é um pesadelo. Nunca sei se vai ser compatível ou não, e também não faço muita questão de encher ele de coisa (só o Mobile Office já me serve, poder ler não importa onde! Ah, e o aplicativo do Facebook também, admito). Não, não sonho em ter um iPhone, iPad, iOqueSeja. Acho-os legais, já fucei em uns e coisa e tal, mas o valor deles? Não pira. Ganho mais juntando dinheiro pra sair de casa e mudar de estado.

5 – Não sofri bullying na escola por ser Nerd
Ok, eu sofri bullying, mas foi por causa da minha altura, mais do que qualquer outra coisa. Só que eu nunca liguei, altura é uma coisa que você não consegue mudar, então aprende a conviver com isso. E ser baixinha tem muitas vantagens! Agora, a maioria dos “nerds” tem esse passado triste em comum, sofriam na escola e etc. Não estou desmerecendo ou desdenhando disso, nem dizendo que foram todos, mas se usam isso como uma característica pra identificação desse grupo, então eu não faço parte. Eu até era chamada de nerd, mas isso é mais generalização do termo pra qualquer pessoa que tire nota alta, do que por ser nerd mesmo (coisa que eu não sou e estou comprovando aqui).

4 – “Starfilia”
Sim, eu amo Star Wars. Sempre gostei de ficção científica. Temáticas aeroespaciais me fazem muito feliz. Mas não, não destrinchei tudo, revirei as entranhas do assunto pra virar especialista. É algo que eu gosto de assistir, reflito sobre e acho fantástico, mas não sou a fim de virar especialista. Nunca li todos os quadrinhos de Star Wars, ou terminei o Guerras Clônicas. E Star Trek? Um dia eu assisto todas as temporadas, um dia. Foi uma paixão que eu adquiri através do meu pai, e não por ser uma bandeira levantada pelos nerds. As pessoas tendem a me classificar como tal, talvez por isso, mas o modo como eu vim gostar dessas coisas é totalmente diverso. Eu convivi com essa temática em casa e nem sabia que existia toda uma ideologia nerd por trás disso, até sei lá, meus onze anos.

3 – Tolkien, mitologia e por aí vai.
Mitologia nórdica e grega me gusta? Sim. Me gusta mucho. Mas eu não fico horas e horas discutindo sobre isso, ou sei tudo, ou lembro o nome de todos os Deuses, titãs, semi-deuses e o que mais tiver na panela. E Tolkien? Senhor dos Aneis, é muito bom. Passo o dia assistindo, mas eu dormi várias vezes lendo Silmarillion, admito pra vocês. É fantástico, é sim, mas é uma leitura entediante em alguns momentos, assim como C. S. Lewis, H. G. Wells e R. R. Martin. Então, eu gosto sim, mas como disse? Não sou especialista, coisa que para todo nerd para ser algo extremamente importante.

2 – Cinéfilos e musicólogos
“Por que a fotografia do filme não está boa e...” Grego. Eu não estou prestando atenção na fotografia, sinto muito. Eu gosto de assistir filme como entretenimento, não como um objeto de estudo a ser investigado, revirado e dissecado. Pode ser que eu esteja perdendo muitos significados, muitas coisas por trás? Sim, deve ser isso. Mas não ligo e nunca liguei. Filme pra mim é pra assistir, pra relaxar. A mesma coisa em relação à música. Primeiro que eu não sei tocar nada, nem reco-reco. E segundo, que meu gosto é muito variado, que ora entra no hall da fama dos musicólogos, ora vai para o que eles mais desprezam. O que importa é se sentir bem escutando uma música. Não classificá-la, ou destrinchar tudo.

1 – Eu não sou nerd
E claro, a primeira posição tem que ser a minha opinião sobre eu mesma. Não me considero nerd pelos nove fatores que vocês acabaram de ler, e por outros tantos que não explicitei no texto. A verdade é que ser ou não nerd é uma questão de identificação também, alias é principalmente isso. Eu não me identifico e sinto que se fizesse, estaria traindo a própria ideologia de quem realmente se considera como tal. Acho que o fato de gostar de ficção científica, animes/mangás, ler muito, escrever fanfictions, ter blog e coisa e tal me dá a aparência de ser uma nerd, mas não é bem assim. São coisas que eu faço ou gosto por que me fazem bem, por que eu gostei, por que eu sou curiosa. Mas não é primordial. Dormir e vegetar ainda são minhas atividades favoritas. Mas viva os nerds, e quem consegue se identificar como tal, por que ama o que faz.

Sobre igualdade, preconceito e Hobbes

"Atribui a outro a culpa por não ter mais, declara as uvas verdes, mas não fica em paz"


      Seria simples se pudéssemos definir uma pessoa apenas pelos seus gestos, seu estilo, seu tom de voz, e suas palavras. Mas embora essas coisas nos tragam uma ideia sobre alguém, não é a ideia completa, não é a essência e, portanto, não passa de mais uma dissimulação para cairmos no pré-conceito. Quantas vezes eu não achei que alguém era de tal jeito apenas para depois de uma conversa, um tempo junto ao acaso, descobrir a precipitação do que eu achava sobre ela e do quanto era errada. Uma pessoa legal à primeira vista, mau caráter a segunda. Uma pessoa sensível de imediato, que acabou sendo mais forte do que eu seria se estivesse no lugar dela. 

"O maestro bem falou, a ofensa é pessoal, quem aponta o traidor é quem foi traído."

      Mal-entendidos acontecem, má compreensão também e isso tudo por que assim como o resto do mundo, somos imediatos, brigamos quando nos exigem respostas rápidas, mas exigimos a mesma velocidade ou mais das outras pessoas, das outras coisas. E no final, quando alguém faz um juízo de valor errado sobre nós, achamos injusto, nos irritamos e ficamos perguntando quem é? O que tem? Para ter a ousadia de nos criticar não é? Como se não fizéssemos isso o tempo inteiro com os outros, nunca enxergamos esse pequeno detalhe. O que o outro faz não é muito diferente do que nós fazemos em determinado momento, isso por que ele nos é semelhante, no fundo, no fundo, somos todos iguais e é essa igualdade que não deixa com que nós consigamos viver em paz. Hobbes já escrevia sobre isso séculos atrás e até agora, quando passo o olhar pela história, tudo apenas se confirma.
         Não acho que o maior defeito do homem seja o ódio ou a vingança. Não, o maior defeito do homem é a hipocrisia mesmo. Por que somos tão hipócritas, mas tão hipócritas, que nem admitir isso a gente consegue. Por que admitir isso, é admitir que o problema do mundo, todo, é nosso mesmo. Não do vizinho, do Beltrano, é de todos.


"E, vítima de si, despreza o que nunca vai ter. O mais verde é sempre além do que se pode ter"


Obs: Trechos em negrito são da música Fracasso da Pitty.


Eu amo a sociedade e você?

"Podemos então considerar que estamos no centro (isto é, no ponto de maior pressão) de um conjunto de círculos concêntricos, cada um dos quais representa um sistema de controle social"
Peter L. Berger, Perspectivas sociológicas: uma visão humanística.

Não vou indicar o livro para todos lerem, principalmente na íntegra. A não ser, claro, que você faça sociologia, antropologia, ciência política, relações internacionais e até mesmo direito e serviço social. O que também pode ser resumido em qualquer área de humanas. Mas, aos mais interessados em avaliar a teoria acima, recomendo o capítulo quatro do livro (que tem apenas 201 páginas), chamado de O Homem na Sociedade. É muito interessante, e abre seus olhos para uma série de fatores que passam diariamente a sua frente, que alias, você sofre diariamente e sequer se dá conta da complexidade deles.
Eu andei lendo por que é obrigatório na minha matéria de teorias sociológicas, e achava que iria ser bem chato, só que Peter Berger é legal de se ler. Ele é bruto e extremamente pessimista e irônico, não tem como você não rir de algumas frases críticas. E talvez por eu ser tão pessimista quanto, eu me identifique bastante com a opinião dele em alguns pontos.
Mas não estamos aqui para fazer uma resenha bibliográfica, certo?
Você já parou e pensou no quanto você é controlado socialmente? Que aquela famosa sensação de liberdade é apenas uma falsa memória? Um idealismo a que todos somos incutidos sempre com paisagens bucólicas, felizes, vibrantes e cheias de ar? Isso é mentira. Não somos livres, tanto do ponto de vista jurídico, quanto filosófico e social (e ainda posso citar muitos outros aqui). A verdade é que a partir do momento em que nossos ancestrais decidiram construir uma sociedade, perdemos a nossa liberdade. E isso não é ruim, sem sociedade a humanidade pereceria. Um cérebro não é maligno sem influências, e foi a nossa maldade que nos colocou no topo da cadeia alimentar. Ou você acha que o cara bom é que venceu a jogada? 
Mesmo que, de certa forma, tenha sido ele. Já que somos dualistas por natureza, temos tanto a maldade contra a bondade dentro de nós. E depende muito de como crescemos e vivemos qual faceta será a mais ressaltada. Aliás, depende também da visão do outro sobre nós mesmos. Como diz meu professor de teoria política: "Às vezes praticamos a maldade sem ter consciência dela". Alguns devem estar pensando o quanto eu sou pessimista, bem vindos ao meu blog, por que a cada dez posts, nove são assim. 
Voltando ao ponto principal (juro que estou treinando minha objetividade, dêem um desconto), até mesmo antropologicamente somos presos. A cultura prende nossos instintos e desejos. Mas imagina uma sociedade onde todos fossem realmente livres, onde não houvessem instituições de nenhuma espécie (isso inclui a família, por que ela é uma instituição, e das mais antigas). Não haveria sociedade, simples assim. Por que são as instituições, coercitivas por natureza, que mantem todos em seus devidos lugares. Impondo limites aos direitos de cada um, e punindo aqueles que excedem os limites do direito dos outros. Num mundo livre, onde o seu direito começaria e onde acabaria? Quem iria protegê-lo se você fosse lesado?
Por que a consciência do dito bom-senso só é desenvolvida em sociedade também. Seriamos como Hobbes diz, um estado selvagem, sem discernimento do que é bom e ruim, do que é meu e o que seu, apenas do que eu quero e do que me interessa. Teríamos direitos sim, os naturais, entretanto não haveria garantia desses direitos.
Bem vindos à selva.


Foi um post realmente curto e de pouca carga teórica, mas é que para cada ponto dito acima eu tenho uma infinidade de argumentos, então praticamente dá um artigo. Rá, ra.




Beijos e queijos.



the ugly truth

Hoje eu acordei monossilábica. Aquelas manhãs atípicas quando você acorda mandando tudo pro inferno mentalmente e ignorando de forma deliberada qualquer tentativa de diálogo. Entretanto estou muito comunicativa na escrita, afinal eu estou escrevendo aqui, mas apenas pelo simples fato de que não necessito falar para isso. E sabe o mais engraçado desses dias de humor negro? É que as pessoas parecem ser instigadas a fazer a nuvem negra sobre a sua cabeça soltar mais raios e trovões múltiplos do que você sozinha já faz.
Quer estragar meu dia? Lance uma enxurrada de coisas que tenho que fazer naquele dia. Não é um saco? E sufocante? Eu odeio me sentir sufocada, aliás, odiar é uma palavra que tem sido frequente no meu vocabulário, acho que se continuar assim, eu vou acabar sendo odiada, ou pior, me odiando. Mas, é legal uma vez ou outra você ser uma filha da puta e recorrer ao Estado de Natureza de Hobbes, ou seja, não primar pelo direito dos outros e pela boa convivência em sociedade, aí você percebe quem é quem. E a verdade inconveniente: Todos tentamos ser melhores que o outro.
Mas acho que essa frase já é água passada por aqui, já comentei isso e até disse que quem não acha isso é um puta mentiroso e hipócrita. Você pode enganar os outros, mas não a si mesmo. Essa tendência competitiva é natural do nosso instinto, somos animais também. E por isso, assim como sexo, cocô, xixi, não deveria ser um horror falar disso. É algo que não podemos mudar.
A verdade é quenão existe gente que não gosta de competir, existe gente que é fraca demais para ganhar uma competição, mas não que ela não tente o mínimo ou que pelo menos uma vez não sonhe em ganhar tal coisa. Eu sou competitiva, muito competitiva. E territorialista. E arrogante.
Fazer o quê? A arrogância faz parte dessa juventude, e talvez, acho que como a competitividade faça parte também da natureza humana, mas vai saber... Eu não estudo psicologia. Lendo blogs e comentários alheios da vida, nesse meu momento de humor negro, eu percebo que querendo ou não, todos nós seguimos um padrão. E que Caio Prado Júnior estava certo em Sentido da Colonização: Ainda que hajam particularidades, toda história de um sentido. E é esse sentido que faz com que os historiadores, por exemplo, possam estudar e determinar os aspectos de uma período histórico específico. Não que eu faça história também, mas se eu estiver falando bobagem, a Zélia me corrige. Então, pessoas ditas diferentes e incompreendidas, vocês nada mais fazem do que seguir o padrão do nosso período: sermos diferentes e incompreendidos.
Lembra do que eu disse no post do "Eu sou superior!"? Se não lembra, releia. Foi exatamente isso! Que os que se dizem diferentes, são na verdade, iguais. Por que assim como você se acha diferente existe quase toda uma geração que se diz a mesma coisa. Ainda em dúvida? Faça uma pesquisa de blogs e você notará isso. E por que nos dizemos incompreendidos? Ora por que, por que nós somos. E angustiados. Talvez o grande marco da nossa geração não seja o colorido do Restart, ou a extravagância da Lady Gaga, ou quiçá a beleza do Indie. Não, a angústia é a grande marca. Aquele sentimento de prisão que nos oprime mesmo quando estamos tão livres, por exemplo, na internet. Quando viajar tornou-se bastante acessível, quando a socialização se tornou menos complicada. Ainda assim... Continuamos nos sentindo presos.
A verdade é que nos sentimos presos com esses discursos ideológicos, com a mídia em massa, compelidos a seguir dois tipos de comportamentos: aqueles que se submetem e aqueles que tentam não se submeter e vivem na luta. Entretanto, é inevitável não ser influenciado por isso.
Sabe de uma coisa? Começo a concordar com Álvaro Valls no livro "O que é ética?" quando ele comenta sobre o fim do indivíduo, e de fato, estamos suprimindo o nosso indivíduo e sendo vistos mais como massa, seja a facilmente manobrável, seja a difícil. E talvez por isso necessitamos tanto dessa vontade de sermos "diferentes".
Nem sei mais o que estou falando. Mas eu me sinto melhor
E ah... Uma dica. Nunca leiam livros de filosofia que sejam pequenos.
Eles são os que mais nos deixam sem chão.

Eu sou superior!

Veja como eu sou cult, sou diferente, tenho o cérebro do tamanho de uma noz e os colhões de aço! 


Nossa, hoje eu to de saco cheio. Sabe aquele tipinho de gente que se acha a nata da sociedade, supra sumô do conhecimento, ser magnânimo das atitudes legais? É aquele mesmo que você conhece uns duzentos e reconhece a quilômetros de distância o pavão andando pela lama como se estivesse num jardim. Só que o jardim não pode ser muito florido ou ele pode sentir a beleza das suas penas ameaçadas pela beleza das flores! Provavelmente alguns concordarão comigo, outros - estes incomodados com a verdade da descrição e contraditoriamente se identificando com ela - dirão que eu também sou uma "superior". Bem, existe um belo verbo indireto que pode resumir minha opinião sobre o assunto: foda-se. Ah, vá plantar bananeira e ver se nasce um cacho no meio do seu... Você sabe. MIMIMI, eu não assisto televisão por que ela aliena as pessoas. IAUHDIUAHS, puta alienado tentando fazer parte de um círculo de intelectualidade suprema. Ah, eu leio Freud, Marx, viva a revolução do proletariado! Somos muito individualistas, foda-se, todo mundo faz sexo e quer fazer sexo e você definitivamente não vai gemer: "aaaaaaw, subconsciência" durante um orgasmo e muito menos "pegue a foice e o martelo". Você vai ser selvagem como qualquer outra pessoa e gritar: "mais forte" sei lá. Entendem o que eu quero dizer? Na hora da diversão ninguém se importa com seu intelecto ou seu QI de 19873187113131987231 e não sei quantos.
MAS O PIOR, é quando um ser autoditata, sinônimo da perfeição desses vai para o interior. Aí é divertido, aí vem a vingança. Foda-se se você sabe as leis de Keppler, e sobre a teoria da relatividade, ou se você é trendy no twitter, ou ainda se você não vê televisão e é o senhor "não sou alienado" enquanto esconde sua adoração pelas bandas cults, e estilos literários beirando o mórbido pra dar uma de cool. ISSO, não vai valer de nada, e você só vai ser um almofadinha ridículo que não sabe andar pela mata ou ordenhar uma vaca.
PELOAMOR, vamos parar com essa santa idiotice de tentar ser superior. Ninguém é superior, futilidade todos tem um pouco, e todos são um pouco. Não vem achando que você não faz parte de uma modinha ou segue um conceito, por que até sendo do contra você tem um grupo de identificação, o povo que é do contra por que quer quebrar o sistema. BELIEVE, quebrar o sistema é a modinha mais up do momento. Então, é capaz do cara fã de Restart ser mais verdadeiro que você e toda a sua pose de senhor da sabedoria. Por que, claro, com Google até eu sou sábia.
E O MELHOR, ah o melhor é o julgamento. Por que de alguma forma distorcida nós, meros humanos bípedes, do gênero homo sapiens, com cérebro, dentes, coração, olhos, nariz, boca e capacidade de raciocínio, achamos que os demais ao redor devem ser julgados. São inferiores por isso, por aquilo, ou são superiores por que "não ligam" ou etc, etc, etc. OUTRA NOVIDADE, todo mundo liga pra alguma coisa. Se não liga, pega na mentira ou faz um teste neurológico na criatura, com certeza o nível de dopamina dela é baixo e o risco de suicídio altíssimo. Fala sério, dá nos nervos quele olhar de "OMG, sua insana. Como você pode gostar disso, vestir isso, ler isso, curtir isso?" Mano, quem liga? Como eu li as sábias palavras ditas por uma velhinha num dos blogs que eu visitei: "No final vai todo mundo pro mesmo buraco".
E é por isso que eu adoro falar EU GOSTO DE ASSISTIR SILVIO SANTOS. EU VEJO NOVELA. EU ANDO DE ÔNIBUS, EU JÁ OUVI RESTART, JÁ LI CREPÚSCULO. JÁ LI MAQUIAVEL E QUE SOCIALISMO E CAPITALISMO VÃO MORRER EM CHOQUE.
2012 termina o mundo.


IUAHDIUHAUDHAIUD,
sintam-se ofendidos ou não;
eu vou ligar pra isso.

Eslováquia! Eslováquia?

Sobre copa e outras coisas - Parte II



E Itália foi eliminada. A grande, poderosa, tetracampeã, foi eliminada por um país que recentemente adquiriu sua independência. Pra ver como futebol é uma outra realidade, não? A Eslováquia é um país situado na europa central, o que significa que pertenceu a extinta URSS, e até muito tempo depois da fragmentação do bloco socialista (desculpem socialistas, mas a URSS FOI SOCIALISTA SIM) era mais conhecido como Tcheoslováquia. Mas como um casal que se separa, cada um foi para o seu canto e então surgiu a República Tcheca e a dita Eslováquia. Separam-se por que com o ruimento da URSS, as economias e políticas tornaram-se divergentes, a parte Tcheca iniciou privatizações e sua economia era mais de mercado e industrializada, por outro lado a Eslováquia era mais agrária e extrativista, felizmente, ao contrário de muitos, os conflitos étnico-religiosos não estavam presentes ali, tendo sido uma divisão pacífica - muito conhecida como Revolução de Veludo. A capital da Eslováquia é Bratislava, são em torno de 5 milhões de habitantes no país, a economia tornou-se mais estável quando ingressaram na UE; maioria da população eslava, com um espaço para os húngaros e prega a liberdade religiosa.

Não sei por que fui pesquisar Esloválquia. Ou melhor, eu sei, é por que o que é eslováquia? Itália nós sabemos, somos obrigados a engolir a história italiana quase inteira durante nossa vida acadêmica.  Enfim, mais tarde escrevo mais coisas, sobre outras coisas.

Sobre Copa

E outras coisas.



Brasil e seus jogos:
Ah, eu vi o jogo do Brasil hoje. Finalmente eles despertaram, por que em comparação ao jogo passado foi uma melhora surpreendente. Mas eu entendo a razão, com o mundo todo fazendo pressão e um público carnavalesco que gosta de espetáculos como nós brasileiros somos, óbvio que eles ficaram nervosos, então mais valeu se conter e não fazer alguma besteira do que se arriscar demais e fazer bobagem. Perdoados, por que mesmo assim ganharam. E o jogo de hoje, toques rápidos, poucos erros pra esse tipo de jogada, agilidade, tabelas. Legal, ainda não ta na melhor forma, evidente, mas nem se compara a estreia.
Agora minha pergunta é se fui só eu ou vocês também se sentiram assistindo luta livre a partir do segundo tempo de jogo? O que foi aquilo? Que entradas bruscas e esbarramentos (ou deveria dizer empurramentos?) foram aqueles dos jogadores da Costa do Mafim? Pelo que eu pesquisei eles são conhecimos por esse jogo duro mesmo, não apenas eles, mas os times africanos em geral, entrentanto... Francamente. E o senhor juíz, prefiro nem tocar no nome dele para não falar besteira e ser processada por calúnia e difamação e tudo o mais. Mas podia dar uma acordadinha no jogo né? Ou acha que cartão vermelho é só pra quando quebrar o pé, sair sangue, morrer...Ou, dar um soquinho no estômago? Rs.
O comentário final desse jogo é: Quando os jogadores da Costa do Marfim, e dos outros times, incluindo os brasileiros, terminarem suas carreiras futebolísticas, terão um futuro promissor no meio cinematográfico e de novelas. Virem amigos no Manoel Carlos, ou no caso dos Mexicanos, se afiliem a Televisa. Sem mais.


Aos sem nacionalismo, patriotismo, que seja:
Sua modinha de eu odeio o Brasil, não torço pra isso, dane-se a copa, e mimimi whiskas sachê, tem que ser cuidadosa. É interessante ver que alguns (dos que eu tenho visto), falam mal da copa mas se sentavam pra ver BBB todo dia, e votavam no paredão. Que nem sabem o que é Ficha-Limpa, o que é PAC, o que é a Aliança do PT e do Democratas, o que é Belo Monte. Em suma, não sabem porra nenhuma do país e ficam falando e generalizando como se todo mundo que torcesse fosse alienado. Alienado é quem vive num país, odiando-o como for e não sabe que rumo o seu país ta tomando. Vão lamber sabão e morder suas próprias línguas, najas. Eu assisto a copa sim, é um momento de confraternização das pessoas, alegria, futilidade mesmo. E assim como eu, muitos assistem também, a diferença é que nós, ao contrário de alguns modinha de ihatebrazil, amamos e torcemos pelo nosso país os outros três anos sem copa. Que é política de pão e circo? É óbvio. A mídia é o César da história, e as grandes corporações também. O que mudar isso? Criticar? Falar que é modinha? NÃO. É tomar consciência e lutar por uma educação melhor, saber seus direitos, exigí-los, e não apenas os seus, mas os dos outros. SER CIDADÃO, e não um mero amargurado por que não nasceu na Europa. Dica.


Por enquanto é só :*
Choro permitido via comentários.