Eu amo a sociedade e você?

"Podemos então considerar que estamos no centro (isto é, no ponto de maior pressão) de um conjunto de círculos concêntricos, cada um dos quais representa um sistema de controle social"
Peter L. Berger, Perspectivas sociológicas: uma visão humanística.

Não vou indicar o livro para todos lerem, principalmente na íntegra. A não ser, claro, que você faça sociologia, antropologia, ciência política, relações internacionais e até mesmo direito e serviço social. O que também pode ser resumido em qualquer área de humanas. Mas, aos mais interessados em avaliar a teoria acima, recomendo o capítulo quatro do livro (que tem apenas 201 páginas), chamado de O Homem na Sociedade. É muito interessante, e abre seus olhos para uma série de fatores que passam diariamente a sua frente, que alias, você sofre diariamente e sequer se dá conta da complexidade deles.
Eu andei lendo por que é obrigatório na minha matéria de teorias sociológicas, e achava que iria ser bem chato, só que Peter Berger é legal de se ler. Ele é bruto e extremamente pessimista e irônico, não tem como você não rir de algumas frases críticas. E talvez por eu ser tão pessimista quanto, eu me identifique bastante com a opinião dele em alguns pontos.
Mas não estamos aqui para fazer uma resenha bibliográfica, certo?
Você já parou e pensou no quanto você é controlado socialmente? Que aquela famosa sensação de liberdade é apenas uma falsa memória? Um idealismo a que todos somos incutidos sempre com paisagens bucólicas, felizes, vibrantes e cheias de ar? Isso é mentira. Não somos livres, tanto do ponto de vista jurídico, quanto filosófico e social (e ainda posso citar muitos outros aqui). A verdade é que a partir do momento em que nossos ancestrais decidiram construir uma sociedade, perdemos a nossa liberdade. E isso não é ruim, sem sociedade a humanidade pereceria. Um cérebro não é maligno sem influências, e foi a nossa maldade que nos colocou no topo da cadeia alimentar. Ou você acha que o cara bom é que venceu a jogada? 
Mesmo que, de certa forma, tenha sido ele. Já que somos dualistas por natureza, temos tanto a maldade contra a bondade dentro de nós. E depende muito de como crescemos e vivemos qual faceta será a mais ressaltada. Aliás, depende também da visão do outro sobre nós mesmos. Como diz meu professor de teoria política: "Às vezes praticamos a maldade sem ter consciência dela". Alguns devem estar pensando o quanto eu sou pessimista, bem vindos ao meu blog, por que a cada dez posts, nove são assim. 
Voltando ao ponto principal (juro que estou treinando minha objetividade, dêem um desconto), até mesmo antropologicamente somos presos. A cultura prende nossos instintos e desejos. Mas imagina uma sociedade onde todos fossem realmente livres, onde não houvessem instituições de nenhuma espécie (isso inclui a família, por que ela é uma instituição, e das mais antigas). Não haveria sociedade, simples assim. Por que são as instituições, coercitivas por natureza, que mantem todos em seus devidos lugares. Impondo limites aos direitos de cada um, e punindo aqueles que excedem os limites do direito dos outros. Num mundo livre, onde o seu direito começaria e onde acabaria? Quem iria protegê-lo se você fosse lesado?
Por que a consciência do dito bom-senso só é desenvolvida em sociedade também. Seriamos como Hobbes diz, um estado selvagem, sem discernimento do que é bom e ruim, do que é meu e o que seu, apenas do que eu quero e do que me interessa. Teríamos direitos sim, os naturais, entretanto não haveria garantia desses direitos.
Bem vindos à selva.


Foi um post realmente curto e de pouca carga teórica, mas é que para cada ponto dito acima eu tenho uma infinidade de argumentos, então praticamente dá um artigo. Rá, ra.




Beijos e queijos.



3 comentários:

  1. Nossa parenta, você escreve mto bem.
    Eu tenho uma dificuldade de amar a sociedade, mas to tentando ^^

    seguindo aqui jah *-*

    beijoos

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  2. Ahh muito show esse texto.
    Não mto comum pra se falar, mas eu curti, sério!
    Somos controlados socialmente, isso é fato. Difícil é assumirmos isso ou até mesmo pensarmos assim.

    Adorei!

    Beijos

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  3. Sua propriedade de argumentação me deixa assustada, isto é muito bom!
    Não conheço o livro, mas fiquei com um anseio intenso de ler...
    Um dos pontos fundantes que deveríamos discutir diariamente é sobre o ato democrático.
    Democrácia era para ser liberdade e autonomia, mas, não consigo citar uma. Ah, política? O Voto?! Será mesmo este um ato democrático? Paga - se educação, saúde, moradia e afins...
    A sociedade é mesmo uma gracinha!

    http://memoriaspsicodelicas.blogspot.com

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