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Vazio

Não foi fácil levantar hoje e sentir o peso de toda a solidão.

Todas as cores parecem ter desbotado.

Todos os meus planos embaralham-se.

Não foi fácil concordar com essa nova vida.

Mas então… Não existe concordância quando não se oferecerem acordos.

 

As minhas lembranças espiralam em névoa.

Cinza, fria… E cada vez mais distante.

Não sei quando esse véu se interpôs entre nós.

Nem sei como transpassá-lo. Vê?

 

E fui eu quem o criei.

 

Não me sinto perdida.

Eu já sabia que iria ser assim.

Eu já previa tudo isso.

Mas prever e sentir não são a mesma coisa.

 

Não me resta mais dor.

Talvez apatia, desalento, desânimo.

E todos aqueles adjetivos que se usam.

Quando não se expressa nada.

 

Há um vazio que me preenche.

Expectativas para o filme de Vampire Academy




Quem aí já não ouviu falar no novo filme que vai estrear esse ano? Um filme sobre vampiros, mas bem mais “estiloso” que a franquia Crepúsculo. O nome? Vampire Academy, ou Academia de Vampiros. A razão da minha ansiedade? Não, não é pela estreia, é pelo profundo medo de que esse filme vai acabar com uma saga que eu tenho um carinho especial, apesar dos pesares e preconceitos. Desculpa, mas “They suck at school” no cartaz promocional me fez sentar, por as mãos na cabeça e me perguntar: “Deus, por quê?”, aí para completar a facada, a estrela do filme, o diretor, é o mesmo cara que fez Meninas Malvadas.

Eu gosto pra caramba de Meninas Malvadas, morro de rir. Mas nessas circunstâncias? Só o que eu consigo pensar é que Vampire Academy vai ser a mesma coisa de Meninas Malvadas com um toque de fetiche: presas. Uma espécie de True Blood versão adolescente, ou sei lá o quê. Já sei, já sei, pareço mais uma daquelas reclamonas de “o livro é infinitamente melhor que o filme”, ou talvez uma hipster “oh shit, agora minha série vai virar filme e montes de posers virão”, mas não é bem assim. De fato, só pelo trailer, deu pra sentir que o livro vai ser melhor do que o filme. E isso porque ainda que no livro tenham sim todos os aspectos adolescentes de baile, aulas, namoros e coisas do tipo, tem algo há mais, específico do universo que a Richelle Mead criou e que é fundamental na trama inteira.


O meu medo é que o filme deixe de englobar exatamente essas coisas, tal como o filme de Jogos Vorazes e também o Bússola de Ouro. Eles se assemelham aos livros, mas os elementos mais importantes do enredo ficaram em segundo plano, na maioria das vezes, por uma coisa mais romantizada e próxima do imaginário infanto-juvenil de malhação e séries americanas. Eu acho isso desnecessário, é como se fosse um atestado de que todo filme infanto-juvenil tem que ser assim, plastificado, como se os livros também fossem, e eles não são. Vamos ilustrar meu medo: Seria como se toda a trama de Harry Potter fosse deixada de lado para dar total destaque ao baile de inverno ou ao relacionamento do Harry e da Gina.
 
 
 
Enfim, mesmo com esse monte de ressalvas e receios eu vou assistir o filme, vou vibrar quando ver a Rose, o Christian, o Dimitri (a Lissa não, por que não gosto muito dela). E, mais do que tudo, vou ficar aguardando ansiosamente pelas continuações, onde meus personagens favoritos vão aparecer: Adrian Ivashkov e Sydney Sage. Só espero não sair muito decepcionada com a roupagem que eles vão dar a série. E no fundo, no fundo, espero é ter que fazer outro post pedindo desculpas e dizendo que minhas impressões iniciais estavam erradas.
 
 

Um conto de fadas sobre o sistema judiciário

Contos de fadas tem uma certa lição de moral ao fim, não? São, na verdade, uma espécie de fábula, já que a maioria possui animais falantes e coisas assim. De certa forma, esse conto de fadas que estou prestes a desabafar sobre, não tem moral nenhuma. Seu problema é justamente esse, é no que se diz, na lenda oral, onde se encontra a ficção da moralidade, por que na realidade, é só mais um dos tantos contos da carochinha que temos que conviver diariamente.
Do que estou falando? Da justiça, claro. Com letra minúscula mesmo, por que essa não anda merecendo nem meu esforço pra acionar o caps lock.
Sabe, eu tinha um respeito com a justiça. Achava até um serviço digno. Sim, por que é um SERVIÇO. Um dos mais nobres, visto que, se espera que quem trabalhe nessa área seja provido de uma equidade e senso de justiça maior do que qualquer outra área dentro do serviço público e até mesmo privado. Afinal, é quem vai julgar os certos e errados, ainda que com base nas leis, é quem vai proferir a sentença, dar materialidade a uma causa abstrata, a um argumento escrito, a partir de uma lógica advinda de um estudo minucioso, de uma hermenêutica, estou errada? Então... Tem que ser alguém que faça por onde, afinal, por que motivos uma pessoa que ocupa esse cargo poderia se deixar corromper quando já possui um cargo vitalício, uma inamovibilidade para cargos inferiores? E ainda por cima, um dos salários mais bem pagos do país, fora o tanto de gratificações e benefícios que ainda recebem. Não tem motivo...
Parece que não é o que uma grande maioria dos senhores desembargadores e juízes pensam. Vide o caso do desvio de verba do TJRN, que saiu como reportagem principal de um dos boletins televisivos da rede globo, hoje mais cedo. Quer dizer, não é só qualquer dinheiro desviado, é dinheiro de precatório, que deveria ser delegado a pessoas que ganharam ações, mas que foram gastos com hospedagens em caríssimos hoteis com vista para a torre Eiffel, com construção de piscinas olímpicas, carros de luxo, celulares que pertenceram a pessoas famosas... Coisas assim, muito importantes. E, acima de tudo, gastos por quem o dinheiro era destinado, não?
São poucas as vezes que digo isso, mas esse país é uma vergonha. Não me importa aqui se existe corrupção em outros países, por vezes até pior do que a nossa (se é que podemos comparar uma coisa dessas), estou falando da nossa realidade, do agora e do aqui, e essa realidade é uma coisa absurda. Inaceitável.
Não consigo mais confiar ou ter fé num sistema de justiça que pune o pobre e sem condições e deixa livre o rico e que pode pagar advogados que são ex-ministros do STF. Que dão sentenças com preço tabelado, por exemplo, dizem que aqui no estado do Pará, você pode conseguir uma por $10mil. Ou que, ainda por cima, perseguem politicamente jornalistas por dizerem a verdade e mostrarem a sujeira que se esconde atrás das togas, como foi o caso do sociólogo e jornalista amazônida, Lúcio Flávio Pinto. Estes são uns dos muitos exemplos que posso citar aqui...
Que tipo de país e sistema de justiça é esse que desrespeita o direito dos seus cidadãos? De que justiça e equidade estamos falando aqui? E eu ainda tenho que, realmente, me dirigir a uma pessoa dessas como excelentíssimo (a)? Ora vá...
E olha que nem vamos entrar nas outras esferas do governo, não tem aterro de lixo que caiba tanta sujeira de uma vez... Ou deveria dizer depósito de resíduos radioativos, daqueles estilo meleca verde-vagalume...


O medo e a insônia



Por que tanto medo?
Eu me pergunto isso toda vez, a cada madrugada com insônia que resolvo refletir seriamente na minha vida, onde, a despeito do dia mais feliz que eu possa ter tido, eu me aproximo daquele buraco negro que um dia quase me consumiu. Depressão? Não, não acho que tenha sido isso. Houve um momento em que eu acreditei que estava, mas se eu for pensar direito, eu sempre fui assim. Sempre tive esse lado escuro que me assusta, que eu tento escapar, mas não consigo. Nunca consigo.
Um buraco cavado pelo medo em meio a um terreno fértil de pessimismo e insegurança.
Essa sou eu, verdadeiramente. Sozinha.
Preciso todos os dias de uma dose de confiança, de coragem, de brilho, de esperança, pra conseguir atravessar a vida sem muitas sequelas e machucados, sem voltar correndo para o casulo seguro e impenetrável da minha solidão. Queria que isso fosse superado, que não fosse um problema, mas como dizer que não se meu prognóstico de vida diz o contrário, que eu não teria razões pra sofrer esse mal como eu sofro?
Eu tenho medo de falhar. Medo de arriscar. Medo de sofrer. E a cada vez que isso acontece, meu medo só aumenta. A resignação de que eu não sou tão boa assim, a conformação de que essa é a vida que eu tenho e é melhor me contentar. A falta de disposição de ir além, fazer algo mais, ser alguém. O ceticismo em relação às pessoas. Elas não mudam, elas vão me decepcionar. Ou pior, eu vou decepcioná-las, por que eu não mudo. Por que eu não sou o que elas pensam.
Eu sou fraca, a verdade é essa. Meu riso esconde minha insegurança. Minha ironia, a timidez. Minha preguiça, o medo de tentar. E toda vez que eu tento fugir desse redemoinho, que eu estou quase confiante de que há esperança, de que não existem razões para ter medo, que viver os momentos, bons e ruins por inteiro é melhor do que viver uns poucos momentos bons seguros e pela metade, mais uma noite de insônia me vem e me puxa para o fundo.
Mas amanhã vai ser um novo dia, e eu vou me afastar desse buraco e respirar um pouco a liberdade de poder sonhar e confiar em um futuro melhor, conquistado por mim, por que eu tive confiança o suficiente, eu acreditei em mim mesma. Um futuro onde aqueles que me importam se orgulhem.

Uma carta pra quem precisa


Belém, 21 de fevereiro de 2012

Eu queria tanto poder te passar a segurança que eu sinto. Dizer-te que eu sei e que eu tenho a plena certeza de que o final que você almeja vai dar certo, e está lá esperando por você. Melhor ainda, que o final que você tanto quer, não passa do início de outra etapa na sua vida. Uma etapa que vai se moldar a você de forma tão perfeita, como você sempre sonhou que moldaria. Queria tanto poder te dizer que sim, você nasceu pra isso. Que você é uma das poucas sortudas de conseguirem descobrir que o que você quer é exatamente aquilo para o qual você foi feita.
Queria te dizer tudo isso, com um sorriso no rosto, segurando sua mão e observando suas expressões se modificarem lentamente, mas de forma intensas, ver você crescer ao mesmo tempo em que mergulha na felicidade da inocência infantil, de uma criança que ganha doces. Você merece isso. Eu sei que sim, e eu acredito, não pela fé cega no que você é, mas pelo conhecimento do que você fez e dos caminhos que você trilhou, das coisas que você sacrificou em prol daquilo que você tanto quer.
Quero te dizer que não é preciso tanto medo, tanto pessimismo, tanta falta de fé em si mesma. Por que você vai conseguir, você vai chegar lá. Não é preciso se subjugar tanto, pensar que suas qualidades não são suficientes, que você não está à nível do seu sonho. Dizer-te que se você foi obstinada o suficiente para sonhar com isso, e mesmo temerosamente, trilhar sua longa jornada nessa direção, então você está acima do nível do que você acha. Então que você vai alcançar o que você quer, sem toda a dor que você acha que vai sentir, sem o medo da decepção que você pensa que não vai suportar.
Você não vai sentir essa decepção. Tira isso da sua mente. Não seja assim, tão dura consigo mesma. Tão desesperada para que o final chegue, mas também que ele demore. Por que você não está preparada, você nunca vai estar preparada o suficiente. Deixa essa paranoia de lado, ela não te faz bem, te tira lágrimas que você não precisava derramar, te angustia por coisas que você ainda não realmente sentiu. Queria tanto poder te passar a segurança que eu sinto pra que você pare de sofrer por antecipação, para que você não seja tão dura consigo mesma, e possa sorrir mais, confiar mais e acreditar mais em si própria. Nas suas capacidades. Eu queria tudo isso, por que eu vi, eu te vi lá, e eu te vejo agora. Você vai conseguir, garota. Você nasceu pra isso. Não tenha medo, não desista do que você ainda nem tentou de verdade.

Com amor,
O futuro.