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#ReadWomen2014 - O que é isso?


Já faz um tempo que eu queria escrever sobre esse projeto gringo que eu achei mega interessante e deveria ser mais divulgado aqui nas terras brazilis tropicais. Eu vi a reportagem no Buzzfeed Brasil, e trata-se de um projeto que busca trazer a igualdade de gênero no mundo literário (não, não é de gêneros literários que eu estou falando. 
Vocês devem saber, ainda que não leiam ou se interessem pelo assunto, a marcante desigualdade de gêneros no Brasil, não é? Apesar dos números terem melhorado bastante nos últimos anos, dada nossa herança histórica patriarcal e machista, em muitos locais e mentes, a mulher é ainda é colocada de forma inferior ao homem ou a figura masculina. Seja em casa, na escola, nos postos de trabalho, na rua mesmo, convivemos diariamente com esse preconceito e até mesmo opressão. 
A questão é: a desigualdade de gêneros está presente em todos os âmbitos da vida social. E o mercado literário não está fora disso.
Eu confesso que eu mesma achei estranho, já que leio mais autoras do que autores. Mas levei apenas um segundo para pensar: "certo, mas que tipo de livros elas escrevem?" A resposta é uníssona, não? Romances. Parece que se você é mulher e escreve, você tem que escrever romances. E se escreve sobre outro gênero, você se torna uma minoria. De acordo com a reportagem do Buzzfeed, em 2012, trabalhos escritos por mulheres contabilizaram 22% das resenhas no The New York Review of Books, 25% de resenhas no The Times Literary Supplement e 23% no The Nation. 


A campanha #ReadWomen2014 foi ideia da artista e escritora Joanna Walsh, que fez vários marcadores de textos com ilustrações de escritoras famosas. De acordo com a entrevista dela no Buzzfeed: "A dispensa de escritoras é uma epidemia no mundo literário, evidenciada pelo drástico desequilíbrio entre resenhas de trabalhos escritos por homens e trabalhos escritos por mulheres".
Daniel Pritchard, editor do The Critical Flame, ainda dá uma alfinetada maravilhosa sobre o assunto, que merece até citação destacada:
"O que podemos ver hoje é que os traços de uma cultura ainda são dominados por figuras masculinas brancas, e pela pressuposição do seu essencial mérito literário, em todo o lugar, desde grandes publicações até pequenos periódicos. Até onde a cultura literária dominante está preocupada, homens brancos são o padrão"
Então meu blog, por pequeno que seja, também apoia essa ideia do #ReadWomen2014. Vou usar essa tag no twitter, nas próprias resenhas e nas postagens do Facebook. Que tal participar também? :)


Conjecturas sobre por que resenhar dá dinheiro + crise

E aí gente?
Ando numa maré de "preciso escrever algo e estou com disposição" que não posso abrir mão. Sabe quando você perde o dia pensando no que vai fazer da vida? Se você está na escola: "Meu Deus, ENEM final do mês, e será que eu vou acertar no meu curso?"; se você já está na graduação: "Meu Deus, será que isso tudo que eu aprendi vai me servir pra alguma coisa na vida?", ou então "Meu Deus, eu aprendi alguma coisa nesses anos todos?"
As duas últimas perguntas ficaram rondando a minha cabeça, associadas a nostalgia daquela primeira pergunta. Revendo meu blog, que eu tenho desde o ensino médio (mesmo com zilhões de reformulações), eu vejo que, nossa, eu realmente gosto do que eu estudo, mesmo sendo uma chatice (Aos desinformados eu estudo Ciências Sociais - Ciência Política). Mas, ultimamente o desencanto tem sido grande. Me perguntava se era uma coisa da minha área... Mas percebo que parece ser um evento geral. Será Bauman com suas teorias depressivas de fluidez na pós-modernidade o real guru da nossa época? O iluminador das nossas agonias cotidianas? Não sei.
Mas que tem um desencantamento rolando tem. Principalmente com aquela ideia de "trabalho, independência", ir trabalhar. Um trabalho de oito horas. Um trabalho de escritório. Ganhar dinheiro e trabalhar. Coisas desse tipo. Ou até mesmo, uma crise de mercado de trabalho, parece que NÃO TEM VAGAS na sua área. Ou então, que as vagas que existem, poxa, tanto esforço pra ganhar tão pouco? E olha que as coisas parecem ir nesse caminho. Eu tenho até uma teoria de que é por isso que a profissão blogueira aumentou, sabe?
Não que blogueiras não trabalhem, mas, gente... Qual o valor produzido nesse trabalho? Cadê as criações? Por que parece que os trabalhos de mera reprodução são os mais bem pagos? O meu palpite foi a desregulamentação da moeda. 
Nossa, o que raios isso tem haver com a sua crise?
É sério, pensem que até Bretton Woods todo o dinheiro que circulava no mundo era atrelado ao ouro, uma coisa que existe. Mas daí os americanos muito espertinhos resolveram atrelar as moedas (fictícicas) a uma moeda fictícia, o dolar. Basicamente: você atribuir um valor imaginário a um papel. Sério, pensem na quantidade de dinheiro que rola pelo mundo... Vocês acham mesmo que existe essa quantidade nos cofres do tesouro nacional americano? NÃO.
Enrolei, enrolei e o que isso tem haver? 
Não há mais preocupação em criar coisas, valor, mercadorias, materiais, por que não há necessidade (ao menos na aparência), de que isso seja feito. Estamos muito felizes obrigadas em viver de especulação e render dinheiro do nada. Então cada vez mais os trabalhos "menos práticos" são valorizados em detrimento dos trabalhos "mais práticos". Dizer que um produto é legal, está rendendo bem mais do que ser um dos engenheiros ou trabalhadores da empresa que produz tal produto. O problema é que a produção sempre vai ser necessária, entende? O valor da produção é que dá sentido na nossa vida econômica, e consequentemente social.
Just sayin'
Não estou criticando a profissão, estou constatando. É necessário pensar sobre essas coisas, viu? Principalmente se você trabalha com isso. É preciso ter noção de todo o processo.

Nó científico



Sabe quando você está naqueles momentos reveladores da sua vida em que você descobre que tudo em um porquê de acontecer? Acabei de passar por um desses, e não é fácil. Na verdade, chegar a essa conclusão é até uma trajetória que não exige muito quando fazemos em termos abstratos. O problema é a explicação.
Não é só dizer que as coisas tem um porquê de acontecer, mas é mostrar os porquês das coisas acontecerem. 
De repente tudo dá um nó.
E você descobre que a didática atrapalha e também é o que mantêm a sua sanidade. Já pensou se você tivesse que olhar para o panorama complexo da sua realidade de uma vez só, logo ao "nascer" cientificamente? 
Nosso processo de aprendizagem segmentado e alvo de críticas pode ser ruim, mas acho que hoje eu enxerguei o seu propósito. 
Passamos uma vida toda aprendendo coisas segmentadas, para depois, amadurecidos intelectualmente (nos termos de capacidades cognitivas e raciocínio), desaprender a fragmentar e aprender a analisar ao nosso redor levando em conta o maior número de elementos que podemos visualizar.
Só há uma palavra que define isso: LOUCURA.
E então você descobre porque está na área certa, pois é uma loucura que te encanta. 

Monte seu pequeno negócio, abra um blog!

Vivemos em constante mudança, parece-nos aterrorizante a possibilidade de permanecer o mesmo. Do igual, da monotonia. Criamos, ou fomos imputados, a necessidade de criar, de inovar, de construir novas ideias. Mais do que isso de pô-las em prática.
A mídia nos ensinou que o bom é "fazer-você-mesmo". Que temos sempre que estar "reciclados" ou de olho nas tendências para termos valor. Valor que advém do simples reconhecimento através de estatísticas.
Isso afetou até mesmo o mundo dos blogs. Esse poderia ser um post-reclamação, e talvez até seja. Ando desgostosa com os blogs, ando desanimada para escrever e, acho que pela primeira vez, não é pela ausência do assunto. Mas pela ausência de um comportamento alinhado a tendência que se segue agora. 
Virei velharia, pois a fase de textos opinativos já passou há tempos. Agora estamos na fase do pincel duo fiber, dos tutoriais de make-up, do get ready with me, do look do dia. Uma fase que eu nem vi chegar, que talvez já estivesse ali há muito tempo, mas eu nunca percebi até então.
Agora os blogs viraram negócio, um pequeno empreeendimento em tal nível que existe até pesquisa de mercado com seus leitores. Cada vez é mais difícil identificar o que é uma propaganda, o que é uma opinião. Talvez a mídia tenha conseguido seu fim máximo, se embutir de tal forma nos nossos discursos, que nos confundimos com ela. Toda opinião virou propaganda, inevitalmente. 
E virou de tal forma, que até os posts mais trend topics são o quê? Como ter um blog de sucesso. No mesmo estilo de "pai rico, pai pobre", "se a vida é um jogo essas são as regras". Manuais de auto-ajuda para o sucesso nos blogs, como se fosse algo a ser alcançado, o fim máximo da atividade de blogar. Acho que eu não tenho mais vez nesse mundo em que muitas palavras se tornaram chatas e o interessante são imagens bem planejadas e filtradas para exprimirem sentimentos que deveriam ser naturais.



Fachadas Virtuais


Frustração!
Não gosto da ideia de pessoas fazendo coisas por mim, ou melhor, de participar de determinadas coisas que eu não sei como se dá o processo. Um exemplo disso é o mundo da internet. Não é que eu queira aprender a criar meu próprio computador ou saber exatamente como se cria códigos de java e qualquer coisa nesse estilo. Afinal, se tal fosse meu interesse, eu estaria cursando ciência da computação.
A questão é que, eu sou uma pessoa que prima pela horizontalidade do conhecimento, ou seja, daquele tipo que de tudo quer saber um pouco, em vez de muito de pouco, sou do clube do pouco de muito. É uma espécie de contra tendência com a especialização crescente dos nossos dias, onde o que se prima são as pessoas “especialistas” no assunto, eu sei, mas o que posso fazer se sou curiosa por natureza?
Quanto à internet, é engraçado pensar como criamos uma complexa rede de relações e sofisticação sem limites para conseguir fazer o que fazemos hoje. Criamos, de fato, um verdadeiro mundo virtual, onde posso ver, claramente, coisas como terceirização de tarefas, aumento da produtividade e diminuição dos gastos com investimentos em atualizações mais rápidas e práticas. Onde, a frase modinha é “rápido e prático, com uma interface moderna”. E numa proporção tão gigantesca que eu, só na tentativa de resolver o problema do site do Observatório onde trabalho estar fora do ar, me deparei com uma verdadeira montanha de coisas que não tenho nem ideia do que realmente significa. Percebi que, embora o site esteja hospedado no wordpress, há muitos elementos além dele, que trabalham em conjunto, e que eu não sabia da existência, por que o que eu conhecia, além da breve fachada do editor de textos, era a janela de código CSS.
O que eu me pergunto é, em relação a todos os usuários de internet, quantos realmente sabem como se dá o processo? Minha hipótese é de que existem muitas Alessandras por aí. Usuárias das fachadas, sem compreender de fato, o que está por detrás dela. E não estou me referindo unicamente aos processos de software em si, mas as pessoas que comandam e criam esses processos.